Inácio de Antioquia
Pela datação tradicional, no início do século II, um bispo da Síria chamado Inácio é levado preso a Roma, acorrentado a soldados que ele chama de leopardos. Lá, espera ser entregue às feras. Durante a viagem, escreve cartas, e sete delas chegaram até nós. O que esse homem dizia sobre a Eucaristia?
Fontes deste trecho (4)
- Estatuto: Atestado na fonte
Inácio se apresenta como bispo da Síria e escreve preso, levado da Síria a Roma sob escolta de soldados.
- Estatuto: Atestado na fonte
Inácio espera ser entregue às feras em Roma.
- Rm 4,1-3 (texto antigo no acervo)
- Estatuto: Debate em aberto
A data tradicional é o reinado de Trajano; parte dos especialistas propõe datas posteriores.
- Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica, livro III (22; 33 a 36), c. 325 · p. III.22; III.33-36 (abre em nova aba)
- Eusébio de Cesareia; Jerônimo (versão latina), Crônica, c. 380 (abre em nova aba)
- Timothy D. Barnes, The Date of Ignatius, 2008 · p. 119-130 (abre em nova aba)
- Reinhard M. Hübner, Thesen zur Echtheit und Datierung der sieben Briefe des Ignatius von Antiochien, 1997 (abre em nova aba)
- Thomas Lechner, Ignatius adversus Valentinianos?, 1999 · apoio não visto diretamente (abre em nova aba)
- Jonathon Lookadoo, The Date and Authenticity of the Ignatian Letters: An Outline of Recent Discussions, 2020 · p. 88-114 (abre em nova aba)
- Estatuto: Consenso acadêmico
Sete cartas de Inácio, a chamada recensão média, são em geral tidas como autênticas.
- William R. Schoedel, Ignatius, Epistles of, 1992 · p. 384-385 (abre em nova aba)
- Robert F. Stoops Jr., If I Suffer... Epistolary Authority in Ignatius of Antioch, 1987 · p. 161-178 (abre em nova aba)
- Jonathon Lookadoo, Resenha de Bauer e von Möllendorff (orgs.), Die Briefe des Ignatios von Antiochia, 2019 (abre em nova aba)
Como você acha que um cristão do início do século II falaria da Eucaristia?
Inácio era bispo de Antioquia, na Síria. Nas cartas, ele se apresenta como bispo da Síria e conta que vai de lá até Roma sob escolta de soldados. Durante a viagem, escreveu quatro cartas em Esmirna e três em Trôade, entre elas a carta aos cristãos de Esmirna. A data tradicional é o reinado de Trajano (98 a 117); parte dos especialistas propõe datas posteriores.
Fontes deste trecho (4)
- Estatuto: Consenso acadêmico
Inácio era bispo de Antioquia, na Síria.
- Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica, livro III (22; 33 a 36), c. 325 · p. III.22; III.33-36 (abre em nova aba)
- Orígenes, Homilia VI sobre Lucas, 1, c. 233-234 · p. Lightfoot, pp. 29, 144-145 (abre em nova aba)
- L. G. J. Bieler, Saint Ignatius of Antioch (abre em nova aba)
- Estatuto: Atestado na fonte
Inácio se apresenta como bispo da Síria e escreve preso, levado da Síria a Roma sob escolta de soldados.
- Estatuto: Consenso acadêmico
Quatro cartas foram escritas em Esmirna e três em Trôade, entre elas a carta aos Esmirnenses.
- Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica, livro III (22; 33 a 36), c. 325 · p. III.22; III.33-36 (abre em nova aba)
- Jonathon Lookadoo, The Letters of Ignatius, 2021 · p. 208-225 · apoio não visto diretamente (abre em nova aba)
- J. B. O'Connor, St. Ignatius of Antioch, 1910 (abre em nova aba)
- Estatuto: Debate em aberto
A data tradicional é o reinado de Trajano; parte dos especialistas propõe datas posteriores.
- Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica, livro III (22; 33 a 36), c. 325 · p. III.22; III.33-36 (abre em nova aba)
- Eusébio de Cesareia; Jerônimo (versão latina), Crônica, c. 380 (abre em nova aba)
- Timothy D. Barnes, The Date of Ignatius, 2008 · p. 119-130 (abre em nova aba)
- Reinhard M. Hübner, Thesen zur Echtheit und Datierung der sieben Briefe des Ignatius von Antiochien, 1997 (abre em nova aba)
- Thomas Lechner, Ignatius adversus Valentinianos?, 1999 · apoio não visto diretamente (abre em nova aba)
- Jonathon Lookadoo, The Date and Authenticity of the Ignatian Letters: An Outline of Recent Discussions, 2020 · p. 88-114 (abre em nova aba)
Inácio de Antioquia
Suas cartas mostram comunidades, como as de Magnésia e de Esmirna, organizadas em torno de um bispo, presbíteros e diáconos.
Inácio escreve contra pessoas que diziam que Cristo sofreu só em aparência. Mais tarde, posições desse tipo receberam o nome de docetismo. Para Inácio, a Eucaristia está ligada à carne de Cristo que sofreu de verdade. Leia o trecho a seguir com essa disputa em mente.
Fontes deste trecho (3)
- Estatuto: Atestado na fonte
Esm 2 combate quem dizia que Cristo sofreu só em aparência.
- Esm 2 (texto antigo no acervo)
- Estatuto: Consenso acadêmico
Posições desse tipo receberam depois o nome de docetismo; o nome aparece primeiro com Serapião de Antioquia, por volta do ano 200.
- Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica, livro VI, 12, c. 325 · p. VI.12.3-6 (abre em nova aba)
- Iain Gardner, Docetism, 2005 (abre em nova aba)
- Estatuto: Atestado na fonte
Esm 7,1 chama a Eucaristia de carne de Cristo, que sofreu e ressuscitou, e critica quem não confessa isso.
- Esm 7,1 (texto antigo no acervo)
Eles se afastam da Eucaristia e da oração, porque não confessam que a Eucaristia é a carne do nosso Salvador Jesus Cristo, a que sofreu pelos nossos pecados e que o Pai, em sua bondade, ressuscitou. Assim, os que contradizem o dom de Deus morrem discutindo. Mais lhes valeria amar, para também ressuscitarem.Observe quem se afasta da Eucaristia e por qual motivo. Inácio liga a Eucaristia à carne de Cristo que sofreu e ressuscitou.
Fontes deste trecho (1)
- Estatuto: Atestado na fonte
Esm 7,1 chama a Eucaristia de carne de Cristo, que sofreu e ressuscitou, e critica quem não confessa isso.
- Esm 7,1 (texto antigo no acervo)
O que este trecho permite afirmar?
[1] Sigam todos o bispo, como Jesus Cristo segue o Pai, e o presbitério como aos apóstolos; e respeitem os diáconos como ao mandamento de Deus. Ninguém faça sem o bispo nada do que diz respeito à Igreja. Seja considerada firme a Eucaristia que está sob o bispo ou sob quem ele autorizar. [2] Onde o bispo aparecer, ali esteja a assembleia, assim como, onde estiver Jesus Cristo, ali está a Igreja católica. Sem o bispo, não é permitido batizar nem realizar o ágape; mas o que ele aprovar, isso também agrada a Deus, para que tudo o que vocês fizerem seja seguro e firme.Aqui aparecem duas coisas: a exigência de que a Eucaristia esteja sob o bispo e a expressão "Igreja católica". Comentadores leem "católica", neste trecho, como universal, em contraste com a igreja local; não leia nele o sentido que a palavra ganhou séculos depois.
Fontes deste trecho (3)
- Estatuto: Atestado na fonte
Esm 8,1 manda considerar firme a Eucaristia que está sob o bispo ou sob quem ele autorizar.
- Esm 8,1-2 (texto antigo no acervo)
- Estatuto: Atestado na fonte
Esm 8,2 emprega a expressão 'Igreja católica'.
- Esm 8,1-2 (texto antigo no acervo)
- Estatuto: Interpretação: comentadores Lightfoot (1889) e Richardson (1953)
Comentadores leem katholikē em Esm 8,2 como universal, em contraste com a igreja local, e não no sentido técnico posterior de oposição às heresias.
- J. B. Lightfoot, The Apostolic Fathers, Part II, vol. 2 (nota a Esm 8,2), 1889 · p. c. 311-312 (aproximadas) (abre em nova aba)
- Cyril C. Richardson (org.), Early Christian Fathers (Library of Christian Classics 1), nota a Esm 8,2, 1953 (abre em nova aba)
As cartas mostram comunidades com um bispo, presbíteros e diáconos. Mas não sabemos se esse modelo já valia em todas as igrejas. A carta aos Romanos, por exemplo, não menciona nenhum bispo de Roma: o único bispo citado nela é o próprio Inácio. Como e quando o governo de um único bispo se generalizou é tema de debate entre historiadores.
Fontes deste trecho (3)
- Estatuto: Atestado na fonte
Mg 6,1 e Esm 8,1 apresentam as comunidades de Magnésia e de Esmirna com bispo, presbíteros e diáconos.
- Estatuto: Atestado na fonte
A carta aos Romanos não menciona nenhum bispo de Roma; o único bispo citado nela é o próprio Inácio.
- Rm (carta inteira) (texto antigo no acervo)
- Rm 2,2 (texto antigo no acervo)
- Estatuto: Debate em aberto
Como e quando o governo de um único bispo se generalizou é debatido.
- Francis A. Sullivan, From Apostles to Bishops: The Development of the Episcopacy in the Early Church, 2001 (abre em nova aba)
- Oswald Sobrino, Was Peter the First Bishop of Rome?, 2003 · p. 415-421 (abre em nova aba)
- Allen Brent, Ignatius of Antioch: A Martyr Bishop and the Origin of Episcopacy, 2007 · apoio não visto diretamente (abre em nova aba)
Como se lê Esmirnenses 7,1
A Eucaristia é a carne de Cristo; alguns se afastam dela por não confessarem isso.
Testemunho antigo da fé na presença real de Cristo na Eucaristia. A explicação pela transubstanciação é posterior e própria da teologia latina medieval.
Variam entre as tradições. Luteranos tendem a ver ali um testemunho da presença real. A tradição reformada afirma uma comunhão real, mas espiritual, com Cristo e lê a linguagem de Inácio como expressão dessa comunhão e da defesa da encarnação, sem identificar o pão com o corpo. Historiadores evangélicos de igrejas livres e batistas reconhecem que a linguagem é realista, mas lembram que ela combatia os docetas e não deve ser lida pelas controvérsias de séculos depois. Entre anglicanos, há leituras diversas.
Fontes deste trecho (8)
- Estatuto: Atestado na fonte
Esm 7,1 chama a Eucaristia de carne de Cristo, que sofreu e ressuscitou, e critica quem não confessa isso.
- Esm 7,1 (texto antigo no acervo)
- Estatuto: Interpretação: tradição católica
A tradição católica lê Esm 7,1 como testemunho da fé na presença real, que não equivale, por si só, à formulação posterior da transubstanciação.
- Joseph Pohle, The Real Presence of Christ in the Eucharist, 1909 (abre em nova aba)
- Catholic Answers, The Real Presence, 2020 (abre em nova aba)
- Estatuto: Interpretação: tradição ortodoxa
A tradição ortodoxa também lê Inácio como testemunha da mudança do pão e do vinho, preferindo o termo mudança ao termo escolástico transubstanciação.
- Michael Pomazansky, Orthodox Dogmatic Theology, 1984 (abre em nova aba)
- Estatuto: Consenso acadêmico
O termo transubstanciação aparece em meados do século XII; o quadro de substância e acidente se sistematiza no século XIII; Latrão IV (1215) usa o termo.
- IV Concílio de Latrão, Constituição 1, 1215 (abre em nova aba)
- Joseph Goering, The Invention of Transubstantiation, 1991 · p. 147-170 · apoio não visto diretamente (abre em nova aba)
- James F. McCue, The Doctrine of Transubstantiation from Berengar through Trent: The Point at Issue, 1968 · p. 385-430 · apoio não visto diretamente (abre em nova aba)
- Estatuto: Interpretação: tradição luterana
Luteranos tendem a ler o trecho como testemunho da presença real.
- Charles P. Krauth, The Conservative Reformation and Its Theology, 1871 · p. 727-730 (ed. 1872) (abre em nova aba)
- Estatuto: Interpretação: tradição reformada
A tradição reformada afirma comunhão real, mas espiritual, com Cristo; autores reformados leem a linguagem de Inácio como expressão dessa comunhão e da defesa da encarnação, sem identificar o pão com o corpo.
- Estatuto: Interpretação: historiadores evangélicos de igrejas livres e batistas
Historiadores evangélicos de igrejas livres e batistas reconhecem que a linguagem eucarística dos primeiros Padres, inclusive a de Inácio, é realista; destacam sua finalidade antiherética e consideram anacrônico lê-la à luz das controvérsias posteriores.
- Everett Ferguson, Church History, Volume One: From Christ to Pre-Reformation, cap. 8, 2005 (abre em nova aba)
- Michael A. G. Haykin, 'A Glorious Inebriation': Eucharistic Thought and Piety in the Patristic Era, 2010 · p. 103-125 (trechos vistos: 107, 111, 118-119, 125) (abre em nova aba)
- Norman L. Geisler; Ralph E. MacKenzie, Roman Catholics and Evangelicals: Agreements and Differences, 1995 (abre em nova aba)
- Estatuto: Interpretação: tradição anglicana
Entre anglicanos, há leituras diversas.
- E. B. Pusey, The Doctrine of the Real Presence as Contained in the Fathers, 1855 · p. 317 (abre em nova aba)
- William Goode, The Nature of Christ's Presence in the Eucharist, vol. 1, 1856 · p. 466-467 (abre em nova aba)
- F. R. Montgomery Hitchcock, The Holy Communion in the Early Church: Early Letters and Tracts · p. 109-113 (abre em nova aba)
Verdadeiro ou falso?
Inácio usa o termo transubstanciação ou explica a presença com os conceitos de substância e acidente.
Sobre a organização das igrejas, o que as cartas de Inácio permitem concluir com segurança?
Em resumo
- Inácio, bispo da Síria, escreveu cartas a caminho do martírio em Roma, no início do século II pela datação tradicional.
- Contra quem dizia que Cristo sofreu só em aparência, ele chama a Eucaristia de carne de Cristo.
- As cartas mostram comunidades com bispo, presbíteros e diáconos, como as de Magnésia e Esmirna, e empregam a expressão 'Igreja católica'.
- Se esse modelo valia para todas as igrejas, e como ler a linguagem eucarística, são questões que historiadores e tradições respondem de formas diferentes.
Fontes deste trecho (9)
- Estatuto: Atestado na fonte
Inácio se apresenta como bispo da Síria e escreve preso, levado da Síria a Roma sob escolta de soldados.
- Estatuto: Debate em aberto
A data tradicional é o reinado de Trajano; parte dos especialistas propõe datas posteriores.
- Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica, livro III (22; 33 a 36), c. 325 · p. III.22; III.33-36 (abre em nova aba)
- Eusébio de Cesareia; Jerônimo (versão latina), Crônica, c. 380 (abre em nova aba)
- Timothy D. Barnes, The Date of Ignatius, 2008 · p. 119-130 (abre em nova aba)
- Reinhard M. Hübner, Thesen zur Echtheit und Datierung der sieben Briefe des Ignatius von Antiochien, 1997 (abre em nova aba)
- Thomas Lechner, Ignatius adversus Valentinianos?, 1999 · apoio não visto diretamente (abre em nova aba)
- Jonathon Lookadoo, The Date and Authenticity of the Ignatian Letters: An Outline of Recent Discussions, 2020 · p. 88-114 (abre em nova aba)
- Estatuto: Atestado na fonte
Esm 2 combate quem dizia que Cristo sofreu só em aparência.
- Esm 2 (texto antigo no acervo)
- Estatuto: Atestado na fonte
Esm 7,1 chama a Eucaristia de carne de Cristo, que sofreu e ressuscitou, e critica quem não confessa isso.
- Esm 7,1 (texto antigo no acervo)
- Estatuto: Atestado na fonte
Mg 6,1 e Esm 8,1 apresentam as comunidades de Magnésia e de Esmirna com bispo, presbíteros e diáconos.
- Estatuto: Atestado na fonte
Esm 8,2 emprega a expressão 'Igreja católica'.
- Esm 8,1-2 (texto antigo no acervo)
- Estatuto: Debate em aberto
Como e quando o governo de um único bispo se generalizou é debatido.
- Francis A. Sullivan, From Apostles to Bishops: The Development of the Episcopacy in the Early Church, 2001 (abre em nova aba)
- Oswald Sobrino, Was Peter the First Bishop of Rome?, 2003 · p. 415-421 (abre em nova aba)
- Allen Brent, Ignatius of Antioch: A Martyr Bishop and the Origin of Episcopacy, 2007 · apoio não visto diretamente (abre em nova aba)
- Estatuto: Interpretação: tradição católica
A tradição católica lê Esm 7,1 como testemunho da fé na presença real, que não equivale, por si só, à formulação posterior da transubstanciação.
- Joseph Pohle, The Real Presence of Christ in the Eucharist, 1909 (abre em nova aba)
- Catholic Answers, The Real Presence, 2020 (abre em nova aba)
- Estatuto: Interpretação: tradição luterana
Luteranos tendem a ler o trecho como testemunho da presença real.
- Charles P. Krauth, The Conservative Reformation and Its Theology, 1871 · p. 727-730 (ed. 1872) (abre em nova aba)