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A Igreja dos Primeiros Cristãos · Lição 3 de 8

Inácio de Antioquia

Cerca de 7 min

Pela datação tradicional, no início do século II, um bispo da Síria chamado Inácio é levado preso a Roma, acorrentado a soldados que ele chama de leopardos. Lá, espera ser entregue às feras. Durante a viagem, escreve cartas, e sete delas chegaram até nós. O que esse homem dizia sobre a Eucaristia?

Fontes deste trecho (4)
  1. Estatuto: Atestado na fonte

    Inácio se apresenta como bispo da Síria e escreve preso, levado da Síria a Roma sob escolta de soldados.

    • Rm 2,2 (texto antigo no acervo)
    • Rm 5,1 (texto antigo no acervo)
  2. Estatuto: Atestado na fonte

    Inácio espera ser entregue às feras em Roma.

  3. Estatuto: Debate em aberto

    A data tradicional é o reinado de Trajano; parte dos especialistas propõe datas posteriores.

  4. Estatuto: Consenso acadêmico

    Sete cartas de Inácio, a chamada recensão média, são em geral tidas como autênticas.

Antes de ler

Como você acha que um cristão do início do século II falaria da Eucaristia?

início do século II (datação tradicional)

Inácio era bispo de Antioquia, na Síria. Nas cartas, ele se apresenta como bispo da Síria e conta que vai de lá até Roma sob escolta de soldados. Durante a viagem, escreveu quatro cartas em Esmirna e três em Trôade, entre elas a carta aos cristãos de Esmirna. A data tradicional é o reinado de Trajano (98 a 117); parte dos especialistas propõe datas posteriores.

Fontes deste trecho (4)
  1. Estatuto: Consenso acadêmico

    Inácio era bispo de Antioquia, na Síria.

  2. Estatuto: Atestado na fonte

    Inácio se apresenta como bispo da Síria e escreve preso, levado da Síria a Roma sob escolta de soldados.

    • Rm 2,2 (texto antigo no acervo)
    • Rm 5,1 (texto antigo no acervo)
  3. Estatuto: Consenso acadêmico

    Quatro cartas foram escritas em Esmirna e três em Trôade, entre elas a carta aos Esmirnenses.

  4. Estatuto: Debate em aberto

    A data tradicional é o reinado de Trajano; parte dos especialistas propõe datas posteriores.

Pessoa

Inácio de Antioquia

Morte: início do século II (data debatida)

Suas cartas mostram comunidades, como as de Magnésia e de Esmirna, organizadas em torno de um bispo, presbíteros e diáconos.

Fontes deste trecho (1)
  1. Estatuto: Atestado na fonte

    Mg 6,1 e Esm 8,1 apresentam as comunidades de Magnésia e de Esmirna com bispo, presbíteros e diáconos.

Inácio escreve contra pessoas que diziam que Cristo sofreu só em aparência. Mais tarde, posições desse tipo receberam o nome de docetismo. Para Inácio, a Eucaristia está ligada à carne de Cristo que sofreu de verdade. Leia o trecho a seguir com essa disputa em mente.

Fontes deste trecho (3)
  1. Estatuto: Atestado na fonte

    Esm 2 combate quem dizia que Cristo sofreu só em aparência.

    • Esm 2 (texto antigo no acervo)
  2. Estatuto: Consenso acadêmico

    Posições desse tipo receberam depois o nome de docetismo; o nome aparece primeiro com Serapião de Antioquia, por volta do ano 200.

  3. Estatuto: Atestado na fonte

    Esm 7,1 chama a Eucaristia de carne de Cristo, que sofreu e ressuscitou, e critica quem não confessa isso.

Esm 7,1Inácio de Antioquia
Eles se afastam da Eucaristia e da oração, porque não confessam que a Eucaristia é a carne do nosso Salvador Jesus Cristo, a que sofreu pelos nossos pecados e que o Pai, em sua bondade, ressuscitou. Assim, os que contradizem o dom de Deus morrem discutindo. Mais lhes valeria amar, para também ressuscitarem.
Tradução do projeto, assistida por IA. · Grego: Lake, 1912, p. 258 · transcrição em conferência com o escaneamentoVer no acervo

Observe quem se afasta da Eucaristia e por qual motivo. Inácio liga a Eucaristia à carne de Cristo que sofreu e ressuscitou.

Fontes deste trecho (1)
  1. Estatuto: Atestado na fonte

    Esm 7,1 chama a Eucaristia de carne de Cristo, que sofreu e ressuscitou, e critica quem não confessa isso.

Leitura da fonte · Esm 7,1

O que este trecho permite afirmar?

Esm 8,1-2Inácio de Antioquia
[1] Sigam todos o bispo, como Jesus Cristo segue o Pai, e o presbitério como aos apóstolos; e respeitem os diáconos como ao mandamento de Deus. Ninguém faça sem o bispo nada do que diz respeito à Igreja. Seja considerada firme a Eucaristia que está sob o bispo ou sob quem ele autorizar. [2] Onde o bispo aparecer, ali esteja a assembleia, assim como, onde estiver Jesus Cristo, ali está a Igreja católica. Sem o bispo, não é permitido batizar nem realizar o ágape; mas o que ele aprovar, isso também agrada a Deus, para que tudo o que vocês fizerem seja seguro e firme.
Tradução do projeto, assistida por IA. · Grego: Lake, 1912, p. 260 · transcrição em conferência com o escaneamentoVer no acervo

Aqui aparecem duas coisas: a exigência de que a Eucaristia esteja sob o bispo e a expressão "Igreja católica". Comentadores leem "católica", neste trecho, como universal, em contraste com a igreja local; não leia nele o sentido que a palavra ganhou séculos depois.

Fontes deste trecho (3)
  1. Estatuto: Atestado na fonte

    Esm 8,1 manda considerar firme a Eucaristia que está sob o bispo ou sob quem ele autorizar.

  2. Estatuto: Atestado na fonte

    Esm 8,2 emprega a expressão 'Igreja católica'.

  3. Estatuto: Interpretação: comentadores Lightfoot (1889) e Richardson (1953)

    Comentadores leem katholikē em Esm 8,2 como universal, em contraste com a igreja local, e não no sentido técnico posterior de oposição às heresias.

As cartas mostram comunidades com um bispo, presbíteros e diáconos. Mas não sabemos se esse modelo já valia em todas as igrejas. A carta aos Romanos, por exemplo, não menciona nenhum bispo de Roma: o único bispo citado nela é o próprio Inácio. Como e quando o governo de um único bispo se generalizou é tema de debate entre historiadores.

Fontes deste trecho (3)
  1. Estatuto: Atestado na fonte

    Mg 6,1 e Esm 8,1 apresentam as comunidades de Magnésia e de Esmirna com bispo, presbíteros e diáconos.

  2. Estatuto: Atestado na fonte

    A carta aos Romanos não menciona nenhum bispo de Roma; o único bispo citado nela é o próprio Inácio.

  3. Estatuto: Debate em aberto

    Como e quando o governo de um único bispo se generalizou é debatido.

Como se lê Esmirnenses 7,1

O que o texto diz

A Eucaristia é a carne de Cristo; alguns se afastam dela por não confessarem isso.

Estatuto: Atestado na fonte
Leituras católica e ortodoxa

Testemunho antigo da fé na presença real de Cristo na Eucaristia. A explicação pela transubstanciação é posterior e própria da teologia latina medieval.

Estatuto: Interpretação: tradição católicaEstatuto: Interpretação: tradição ortodoxaEstatuto: Consenso acadêmico
Leituras protestantes

Variam entre as tradições. Luteranos tendem a ver ali um testemunho da presença real. A tradição reformada afirma uma comunhão real, mas espiritual, com Cristo e lê a linguagem de Inácio como expressão dessa comunhão e da defesa da encarnação, sem identificar o pão com o corpo. Historiadores evangélicos de igrejas livres e batistas reconhecem que a linguagem é realista, mas lembram que ela combatia os docetas e não deve ser lida pelas controvérsias de séculos depois. Entre anglicanos, há leituras diversas.

Estatuto: Interpretação: tradição luteranaEstatuto: Interpretação: tradição reformadaEstatuto: Interpretação: historiadores evangélicos de igrejas livres e batistasEstatuto: Interpretação: tradição anglicana
Fontes deste trecho (8)
  1. Estatuto: Atestado na fonte

    Esm 7,1 chama a Eucaristia de carne de Cristo, que sofreu e ressuscitou, e critica quem não confessa isso.

  2. Estatuto: Interpretação: tradição católica

    A tradição católica lê Esm 7,1 como testemunho da fé na presença real, que não equivale, por si só, à formulação posterior da transubstanciação.

  3. Estatuto: Interpretação: tradição ortodoxa

    A tradição ortodoxa também lê Inácio como testemunha da mudança do pão e do vinho, preferindo o termo mudança ao termo escolástico transubstanciação.

  4. Estatuto: Consenso acadêmico

    O termo transubstanciação aparece em meados do século XII; o quadro de substância e acidente se sistematiza no século XIII; Latrão IV (1215) usa o termo.

  5. Estatuto: Interpretação: tradição luterana

    Luteranos tendem a ler o trecho como testemunho da presença real.

  6. Estatuto: Interpretação: tradição reformada

    A tradição reformada afirma comunhão real, mas espiritual, com Cristo; autores reformados leem a linguagem de Inácio como expressão dessa comunhão e da defesa da encarnação, sem identificar o pão com o corpo.

  7. Estatuto: Interpretação: historiadores evangélicos de igrejas livres e batistas

    Historiadores evangélicos de igrejas livres e batistas reconhecem que a linguagem eucarística dos primeiros Padres, inclusive a de Inácio, é realista; destacam sua finalidade antiherética e consideram anacrônico lê-la à luz das controvérsias posteriores.

  8. Estatuto: Interpretação: tradição anglicana

    Entre anglicanos, há leituras diversas.

Verifique

Verdadeiro ou falso?

Inácio usa o termo transubstanciação ou explica a presença com os conceitos de substância e acidente.

Verifique

Sobre a organização das igrejas, o que as cartas de Inácio permitem concluir com segurança?

Em resumo

  • Inácio, bispo da Síria, escreveu cartas a caminho do martírio em Roma, no início do século II pela datação tradicional.
  • Contra quem dizia que Cristo sofreu só em aparência, ele chama a Eucaristia de carne de Cristo.
  • As cartas mostram comunidades com bispo, presbíteros e diáconos, como as de Magnésia e Esmirna, e empregam a expressão 'Igreja católica'.
  • Se esse modelo valia para todas as igrejas, e como ler a linguagem eucarística, são questões que historiadores e tradições respondem de formas diferentes.
Fontes deste trecho (9)
  1. Estatuto: Atestado na fonte

    Inácio se apresenta como bispo da Síria e escreve preso, levado da Síria a Roma sob escolta de soldados.

    • Rm 2,2 (texto antigo no acervo)
    • Rm 5,1 (texto antigo no acervo)
  2. Estatuto: Debate em aberto

    A data tradicional é o reinado de Trajano; parte dos especialistas propõe datas posteriores.

  3. Estatuto: Atestado na fonte

    Esm 2 combate quem dizia que Cristo sofreu só em aparência.

    • Esm 2 (texto antigo no acervo)
  4. Estatuto: Atestado na fonte

    Esm 7,1 chama a Eucaristia de carne de Cristo, que sofreu e ressuscitou, e critica quem não confessa isso.

  5. Estatuto: Atestado na fonte

    Mg 6,1 e Esm 8,1 apresentam as comunidades de Magnésia e de Esmirna com bispo, presbíteros e diáconos.

  6. Estatuto: Atestado na fonte

    Esm 8,2 emprega a expressão 'Igreja católica'.

  7. Estatuto: Debate em aberto

    Como e quando o governo de um único bispo se generalizou é debatido.

  8. Estatuto: Interpretação: tradição católica

    A tradição católica lê Esm 7,1 como testemunho da fé na presença real, que não equivale, por si só, à formulação posterior da transubstanciação.

  9. Estatuto: Interpretação: tradição luterana

    Luteranos tendem a ler o trecho como testemunho da presença real.